Glossário de métricas de varejo & CX

Positivação mede quantos PDVs da carteira compraram. Veja como calcular — e por que ela não é a linha de chegada.

Positivação é o percentual dos pontos de venda da carteira que compraram — foram "positivados" — em um período. Se um distribuidor atende 1.000 PDVs e 620 fizeram pelo menos um pedido no mês, a positivação foi de 62%. É a métrica de capilaridade da indústria e do distribuidor, o equivalente brasileiro da distribuição numérica da Nielsen — a primeira resposta para a pergunta que toda marca faz: em quantas lojas nós de fato estamos?

A métrica importa porque disponibilidade vem antes de tudo: um produto não vende onde não está, e cada buraco na carteira é demanda entregue ao concorrente. Mas a positivação conta portas, não volume — e ela para na porta dos fundos do PDV, não na mão do consumidor. Esta página cobre a fórmula, uma calculadora funcional, faixas de referência honestas, a diferença crucial entre positivação e distribuição ponderada, o que faz o número crescer de verdade na rota e o ponto cego que transforma uma positivação comemorada em estoque parado no endereço errado.

Positivação (distribuição numérica)

Positivação = (PDVs que compraram ÷ PDVs da carteira) × 100

PDVs que compraram = pontos de venda com pelo menos um pedido faturado no período · PDVs da carteira = todos os pontos de venda ativos da carteira ou do território

Calculadora de positivação

—
Sua positivação

Um distribuidor de bebidas atende 1.000 PDVs nas suas rotas. Em junho, 620 fizeram pelo menos um pedido faturado. Positivação = (620 ÷ 1.000) × 100 = 62%. Acompanhado por rota e por RCA, o número mostra onde a cobertura é real e onde a carteira está esfriando — 380 PDVs não compraram nada, e cada um deles é espaço de gôndola que um concorrente está ocupando neste mês.

O que é uma boa positivação?

As faixas saudáveis dependem da maturidade da marca, da categoria e do desenho das rotas. Como mapa aproximado para bens de consumo no varejo físico:

Marcas líderes de bens de consumo70–90% da carteira/mês
Marcas desafiantes40–60%
Lançamentos (3 primeiros meses)20–40%
Rota saudável de distribuidor60–80%

Use como orientação, não como meta: a janela de visita (mensal ou quinzenal) e a definição de carteira ativa mudam o número de forma material — uma limpeza de carteira pode subir 15 pontos de positivação sem um único pedido novo.

Positivação × distribuição ponderada: muitos PDVs × os PDVs que importam

A positivação conta portas; a distribuição ponderada (weighted distribution) pesa cada porta pelo volume que ela vende. Uma marca presente em 80% dos PDVs de um mercado tem 80% de distribuição numérica — mas se esses PDVs respondem por só 30% do volume da categoria, a distribuição ponderada é 30%. Os dois números contam histórias opostas sobre a mesma presença: capilaridade em lojas pequenas versus presença concentrada onde o volume de fato passa.

A comparação é diagnóstica. Positivação alta com ponderada baixa significa marca espalhada em portas de baixo giro, ausente das contas-chave que movem a categoria — problema de alvo. Ponderada alta com positivação baixa significa marca dependente de poucas contas grandes, exposta à decisão de qualquer uma delas de tirar o produto da gôndola — risco de concentração. Estratégias maduras de distribuição gerenciam as duas: a ponderada para garantir o volume, a positivação para construir capilaridade, visibilidade de marca e resiliência além das contas grandes.

Como aumentar a positivação de verdade

Ganho sustentável de positivação vem do fundamento sem glamour do trabalho de rota. Primeiro, rota bem desenhada: territórios dimensionados para que cada PDV receba visita dentro da frequência que o canal pede — PDV que o vendedor externo nunca visita é PDV que nunca compra. Segundo, mix mínimo por perfil de PDV: o balcão de bairro e o autosserviço médio não podem receber o mesmo discurso, e um mix obrigatório definido por perfil transforma cada visita do RCA numa jogada repetível em vez de improviso. Terceiro, crédito: inadimplência não resolvida trava pedido em silêncio — cobrança organizada é trabalho de distribuição tanto quanto a venda.

O que não funciona é empurrar caixa. Carregar o PDV no fim do mês para bater meta de positivação ou de volume fabrica uma estatística falsa: o PDV conta como positivado, o produto não gira, o pedido seguinte não vem e o excedente volta como devolução — muitas vezes com o relacionamento arranhado junto. Positivação crescida na pressão aparece um ou dois ciclos depois como devolução, perda por vencimento e churn de carteira. O teste honesto da qualidade da distribuição é a recompra: PDV que compra de novo é PDV onde o produto de fato saiu da prateleira.

O ponto cego: PDV positivado não é produto vendido

A positivação é uma métrica de sell-in: ela certifica que o produto entrou no PDV, e nada mais. Entre o estoque da loja e a sacola do consumidor existe a execução do próprio PDV — o produto está na gôndola ou ainda na caixa, o preço está certo, ele está visível, e o que acontece na conversa de balcão quando o shopper pede uma recomendação? Uma marca pode bater 85% de positivação e ainda perder a categoria no último metro, nos PDVs onde o balconista indica o que paga margem melhor ou o que ele conhece de cor.

É por isso que positivação e sell-out descolam — e o descolamento é o sinal mais valioso do canal. Positivação subindo com sell-out parado significa que o canal está enchendo, não as sacolas: estoque mudando de endereço, do CD do distribuidor para o fundo da loja, com a devolução já agendada. As marcas que ganham o varejo físico tratam a positivação como bilhete de entrada e instrumentam o que acontece depois da entrada: presença em gôndola, execução de preço e a conversa dentro da loja que decide com qual produto o consumidor vai embora.

Positivação sem sell-out é estoque mudando de endereço.

A Cognifyze mede o último metro que as métricas de distribuição não enxergam: a conversa presencial no ponto de venda — com consentimento e sem identificar nenhum cliente — transformando em métrica o que o shopper pediu, o que foi recomendado e por que a venda fechou ou não. É ali que o PDV positivado vira produto vendido — ou vira, em silêncio, a devolução do mês que vem.

Em implantações medidas, tornar a interação visível levou a conversão same-store de 51,5% para 79,5% (+28pp, p<0,001), com ROI de 383% e payback em 1,4 mês.

Veja o que acontece depois que o seu produto entra no PDV — agende um diagnóstico executivo.

30 minutos · piloto com baseline de ROI auditável · resposta em 1 dia útil

Métricas e guias relacionados

Positivação — perguntas frequentes

O que é positivação?

É o percentual dos pontos de venda da carteira que compraram — foram positivados — em um período. Mede capilaridade em portas: positivação de 62% significa que 62 de cada 100 PDVs da carteira fizeram pedido. Não diz quanto cada PDV vende — isso é o que a distribuição ponderada acrescenta.

Qual a diferença entre positivação e distribuição ponderada?

A positivação conta PDVs; a ponderada pesa cada PDV pelo volume de categoria que ele vende. Presente em 80% das lojas que representam 30% do volume: positivação 80%, ponderada 30%. A positivação mede capilaridade; a ponderada mede presença onde o volume está — uma estratégia séria de distribuição acompanha as duas.

O que conta como PDV positivado e como carteira ativa?

As definições variam — e mexem na métrica. Prática comum: PDV positivado é o que tem pelo menos um pedido faturado no período, e a carteira conta só PDVs ativos, em geral definidos como quem comprou nos últimos 90 dias. Afrouxe a definição de carteira e a positivação sobe sem nenhuma venda nova; mantenha a definição estável ou a série histórica perde o sentido.

Positivação alta garante venda?

Não. A positivação certifica a entrada no PDV, não a saída para o consumidor. No meio ficam a execução de gôndola, o preço e a conversa de balcão. Positivação subindo com sell-out parado é o alerta clássico: o canal está sendo abastecido mais rápido do que o shopper compra, e o excesso volta como devolução e perda por vencimento.

Como aumentar a positivação sem entupir o canal?

Cresça por cobertura de rota, mix mínimo por perfil de PDV e disciplina de crédito — e valide cada ganho pela recompra, não pelo primeiro pedido. O PDV que compra uma vez na pressão e nunca mais somou um ponto na métrica e um prejuízo na operação. O primeiro pedido é conquista; o segundo pedido é distribuição.