Templates & ferramentas

Curva ABC: seu faturamento é mais concentrado do que você imagina.

Em quase toda loja, uma fração pequena dos SKUs paga o aluguel: em geral, uns 20% dos itens geram perto de 80% do faturamento. A curva ABC torna essa concentração visível para você decidir com ela — quais itens nunca podem faltar, quais merecem revisão mensal e quais estão comendo espaço de gôndola e capital de giro em silêncio. Não precisa de software: uma planilha, uma exportação do PDV e quatro fórmulas resolvem.

Esta página tem o método inteiro: um exemplo já classificado, as fórmulas exatas de Excel e Google Sheets, os cortes e o que fazer com cada classe. Se quiser a versão pronta para imprimir e passar para quem cuida do estoque, a gente manda o PDF por e-mail. De qualquer forma, rode com os seus números ainda esta semana — a primeira curva sempre surpreende.

Exemplo prático — 10 linhas já classificadas

Vendas de 90 dias por SKU, ordenadas por faturamento (total: 200.000)

Cortes: A = itens até 80% do faturamento acumulado; B = 80–95%; C = acima de 95%. Neste exemplo, 6 SKUs entregam 80% do faturamento e a cauda longa de 40 SKUs entrega os últimos 5% — essa concentração é exatamente o que a curva existe para mostrar.

#SKU / ItemFaturamento% do total% acumuladoClasse
1Tênis Runner X42.00021%21%A
2Jaqueta Trail36.00018%39%A
3Mochila urbana28.00014%53%A
4Legging de treino24.00012%65%A
5Camiseta dry fit18.0009%74%A
6Meia de corrida (kit 3)12.0006%80%A
7Boné esportivo11.0005,5%85,5%B
8Garrafa térmica10.0005%90,5%B
9Kit munhequeira9.0004,5%95%B
10Demais 40 SKUs (cauda longa)10.0005%100%C

Receba o guia em PDF pronto para imprimir

O exemplo classificado, as fórmulas e os cortes — formatado para imprimir e compartilhar com quem cuida do seu estoque.

 

Como montar, passo a passo

  1. Exporte as vendas por SKU dos últimos 90 dias do seu PDV ou ERP — faturamento por item, não unidades — e cole no Excel ou no Google Sheets: SKU na coluna B, faturamento na coluna C.
  2. Ordene por faturamento, do maior para o menor (Dados → Classificar pela coluna C, decrescente). A curva só funciona com a lista ordenada — é este passo que transforma relatório em curva.
  3. Calcule o % do total na coluna D: em D2, digite =C2/SOMA($C$2:$C$100) (ajuste $C$100 para a sua última linha), formate como porcentagem e arraste para baixo. No Google Sheets a fórmula é a mesma.
  4. Calcule o % acumulado na coluna E: em E2, digite =SOMA($D$2:D2) e arraste para baixo — o início travado faz cada linha somar tudo o que está acima. A última linha tem que dar 100%; se não der, o intervalo do passo 3 está errado.
  5. Classifique pelos cortes na coluna F: =SE(E2<=80%;"A";SE(E2<=95%;"B";"C")) — e aja por classe. A: nunca pode faltar (estoque de segurança, checagem diária). B: revisão mensal — são os candidatos a subir ou cair. C: enxugue o sortimento, renegocie prazos ou descontinue.

Os erros que estragam a curva ABC

Rodar uma vez e nunca atualizar. A curva é uma fotografia, e o sortimento se mexe: sazonalidade, lançamentos e mudanças de preço embaralham as classes. Refaça a cada trimestre — uma ABC do ano passado é o mapa de uma loja que não existe mais.

Classificar por unidades em vez de faturamento — ou ignorar a margem. Unidades inflam item barato em falso A. Faturamento é a base padrão, e a variante mais forte é a ABC por contribuição de margem: um item pode ser classe A em faturamento e classe C em lucro, e essa diferença muda o que você promove.

Tratar a classe C como lixo. Tem C estratégico: o complementar que puxa a venda de um A (a meia do lado do tênis), o item que traz um perfil de cliente para a loja, a peça de sortimento mínimo da categoria. Corte a C com a curva numa mão e o papel de cada item na outra.

A curva mostra o que vende. Nós mostramos o que nunca entra na conversa.

A curva ABC é uma fotografia do que já vendeu — ela não diz nada sobre o porquê. Um item B de margem alta que o vendedor nunca oferece jamais vai virar A, e nenhuma planilha vai te mostrar isso: a curva realizada é decidida na conversa de venda, produto a produto. A Cognifyze mede essas conversas presenciais — quais itens são oferecidos, demonstrados e adicionados — com consentimento e sem identificar nenhum cliente, para você enxergar o sortimento que os clientes de fato ouvem, não só o que está na gôndola.

Em implantações medidas, tornar a interação visível levou a conversão same-store de 51,5% para 79,5% (+28pp, p<0,001), com ROI de 383% e payback em 1,4 mês.

Descubra quais produtos o seu salão nunca oferece — agende um diagnóstico executivo.

30 minutos · piloto com baseline de ROI auditável · resposta em 1 dia útil

Ferramentas e guias relacionados

Curva ABC — perguntas frequentes

Quais são os cortes da curva ABC?

A convenção clássica: classe A cobre os itens até 80% do faturamento acumulado, B cobre de 80% a 95%, e C é tudo acima de 95%. Vem do princípio de Pareto, não de lei — há varejos que usam 70/90 para controlar a classe A mais de perto. Escolha uma convenção e mantenha, para os períodos ficarem comparáveis.

Classifico por faturamento, unidades ou margem?

Faturamento é a base padrão e a primeira curva certa. Unidades enganam — item barato que gira muito parece A sem carregar a loja. A versão avançada classifica por contribuição de margem (unidades × margem unitária): rode como segunda curva e estude os itens que mudam de classe entre as duas.

De quanto em quanto tempo refaço a análise?

Trimestral é o ritmo prático para a maioria do varejo físico — suficiente para capturar sazonalidade e lançamentos sem correr atrás de ruído. Refaça imediatamente depois de eventos que mexem no sortimento: reset de categoria, reposicionamento grande de preço ou chegada de coleção nova.

Quantos itens devem cair em cada classe?

Não existe cota fixa — os cortes são sobre faturamento acumulado, não sobre quantidade de itens. Na prática, a classe A costuma ficar com 10–20% dos SKUs, a B com 20–30%, e a C é a maioria longa. Se metade dos seus SKUs sair como A, ou o sortimento é atipicamente plano, ou a lista não foi ordenada.

Devo descontinuar tudo o que cair na classe C?

Não. A classe C é onde você olha com mais atenção, não onde corta no escuro. Separe o peso morto (não vende e não tem papel) do C estratégico: complementares que puxam venda de A, itens que atendem um nicho que você quer na loja e peças de sortimento mínimo. Elimine o primeiro grupo e mantenha o segundo de propósito.